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Contextualização
:
Com o desenvolvimento das novas tecnologias de materiais, o projetista mecânico possui uma grande gamade opções a escolher, de acordo com as necessidades dos seus projetos. Desta forma, a escolha do melhormaterial passa por critérios não somente técnicos, mas também de viabilidade financeira e disponibilidadeno mercado.
Considere que você é um gerente de projetos da empresa fictícia “Projetos X” e que nela os engenheiros etécnicos estão discutindo quais são os melhores materiais a serem aplicados em cada componente. Aempresa “Projetos X” só pode optar por materiais que estão citados no material didático: VISCONCINI, A. R.
Materiais de Construção Mecânica
. Maringá, PR: Unicesumar, 2021.
Comando
:
Leia os diálogos a seguir e, para cada um deles, analise as opiniões apresentadas e explique qual é a pessoaque apresenta opiniões mais coerentes, de acordo com o que você aprendeu em aula e conforme o que foiapresentado no material didático. Sua análise e argumentos devem ser claros, e sua explicação deve ter umtom respeitoso, apresentando pontos de concordância e de discordância, mostrando por que vocêconcorda ou discorda e explicando os motivos, sempre alinhados com o conteúdo do material didático.
Para cada um dos três diálogos apresentados, apresente as suas respostas separadas, identificadasclaramente (RESPOSTA AO DIÁLOGO 1; RESPOSTA AO DIÁLOGO 2; RESPOSTA AO DIÁLOGO 3). As respostasserão avaliadas separadamente e a nota relativa a cada diálogo é independente.
DIÁLOGO 1
21/07/2026, 12:40 Unicesumar – Ensino a Distância
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Contexto:
João A, João B e João C são engenheiros da empresa “Projetos X” e estão discutindo a escolha demateriais metálicos não ferrosos para um projeto de componentes industriais que exigem boacondutividade elétrica, resistência à corrosão e capacidade de conformação mecânica.
João A
: — Pessoal, precisamos definir os materiais para os cabos elétricos e para as peças de mancais doprojeto. Estou inclinado a usar cobre para os cabos — afinal, é um excelente condutor elétrico e de calor,além de ser dúctil e maleável. Dá para laminar tanto a frio quanto a quente, o que nos dá bastanteflexibilidade de processamento.
João B
: — Concordo com o cobre para os cabos, João A. Mas preciso complementar: quando laminamos ocobre a frio, ele fica mais resistente mecanicamente e, ao mesmo tempo, mais dúctil — ou seja, ganhamosnos dois aspectos ao mesmo tempo. Isso é uma grande vantagem para peças que precisam de conformaçãoe resistência, sem necessidade de nenhum tratamento adicional. E olha, o cobre é um dos metais maisabundantes da crosta terrestre, o que explica seu uso tão difundido e seu custo relativamente baixo emcomparação a outros metais especiais.
João A
: — Espera, João B, acho que você misturou as informações. O processo de laminação a friorealmente aumenta a resistência do cobre, mas, na verdade, ele
diminui
a maleabilidade — deixa o materialmais frágil. Isso pode ser corrigido com tratamento térmico posterior, se for necessário. Então não é queganhamos nos dois aspectos; há uma troca entre resistência e maleabilidade.
João C
: — Entendo o ponto, João A. Para os mancais, eu sugiro usar latão ao níquel — esse tipo de latãome parece adequado para essa aplicação. Sobre o latão de forma geral: ele é composto de cobre e zinco,com zinco variando de 5 a 45%, e quanto
menor
o teor de zinco,
menor
a temperatura de fusão. Isso podeser um fator relevante na escolha do processo de fabricação. Ah, e vale lembrar que o latão é amplamenteusado em instrumentos musicais de sopro, como trompetes e trombones, justamente por sua boaconformabilidade e aparência estética.
João A
: — A sugestão do latão ao níquel para os mancais vale a pena investigar, João C. Mas precisocorrigir um detalhe técnico que você mencionou: a relação entre zinco e temperatura de fusão é o contráriodo que você disse. Segundo nossas referências,
quanto maior
a porcentagem de zinco,
menor
a temperaturade fusão — e não o contrário. É um detalhe que pode fazer diferença na definição do processo defabricação.
João B
: — Bom, falando em ligas de cobre, tem também o bronze. Sobre o bronze de cobre-estanho,lembro que ele
perde
resistência à medida que aumentamos o teor de estanho. Faz sentido porque oestanho é mais mole que o cobre, então diluiria a resistência da liga. E no bronze de alumínio, que temquase 1% de alumínio, é possível incluir outros elementos como níquel e ferro para ajustar propriedades —isso eu me lembro bem das nossas referências.
João A
: — Não exatamente, João B. O bronze de cobre-estanho tem comportamento diferente: a resistência
aumenta
conforme elevamos o teor de estanho. O que cai é a
ductilidade
— acima de 5% de estanho, eladiminui sensivelmente. Por isso, adicionam-se pequenas quantidades de fósforo — menos de 0,5% — paramelhorar esses parâmetros e ainda evitar a oxidação da camada externa, formando o chamado bronze-fósforo. Agora, sobre o bronze de alumínio com outros elementos, isso está correto nas nossas referências.
João C
: — Olha, a discussão está ficando bem técnica e eu não estou confiante sobre todos esses detalhesde ligas. João B também levantou pontos que me deixaram em dúvida. Que tal levarmos essas questões aogerente de projetos para que ele avalie e nos dê um encaminhamento mais seguro antes de fecharmos aespecificação?
João B
: — Concordo. Há muitos detalhes — temperaturas de fusão, teores de liga, relação entre resistênciae ductilidade — que podem impactar diretamente o projeto. Melhor não arriscar sem uma validação técnica.
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João A
: — Faz sentido. Vou compilar os pontos de divergência que discutimos e levar ao gerente paraanálise. Assim garantimos que a especificação final esteja bem fundamentada nas nossas referênciastécnicas.
DIÁLOGO 2
Contexto:
A equipe de engenharia da empresa “Projetos X” está reunida para decidir sobre a escolha demateriais para dois componentes: o bloco de motor de um equipamento de grande porte e as bombas detransferência de fluidos de um novo evaporador.
Maria A
: — Bom dia a todos. Precisamos definir os materiais para esses dois componentes ainda hoje. Voucomeçar pelo bloco do motor — eu defendo que devemos usar aço, porque é um material dúctil, o quesignifica que ele se deforma antes de quebrar. Essa propriedade é exatamente o que precisamos num blocode motor, pois ele vai absorver as tensões mecânicas sem partir de uma vez.
Maria B
: — Concordo que o aço é um excelente material, Maria A, mas discordo da sua conclusão para obloco do motor. Justamente por ser dúctil e se deformar com tensão, o aço não é a melhor escolha aqui. Seo bloco se deforma, os pistões e as válvulas, que precisam de folgas precisas, vão travar. O ferro fundido,por ser mais rígido e frágil — mas muito mais duro —, é a opção certa para o bloco, exatamente porquenão pode haver deformação nessa peça. O material ideal é aquele que mantém a estabilidade dimensional.
Maria C
: — Eu discordo das duas. Na minha visão, nem o aço nem o ferro fundido são adequados para obloco de motor. Acho que deveríamos usar o ferro fundido nodular, pois ele apresenta propriedades comoductilidade, tenacidade e resistência mecânica superiores a muitos aços-carbono, sendo, portanto, a escolhamais econômica e tecnicamente superior para todas as situações. E mais: o ferro fundido nodular estásubstituindo gradativamente todos os outros tipos de ferros fundidos e aços em qualquer aplicação.
Maria A
: — Isso é interessante, Maria C, mas eu não sabia que o ferro fundido nodular tinha essacapacidade de substituição tão ampla. Mas voltando ao tema das bombas do evaporador, continuoachando que as carcaças devem ser de ferro fundido, pois têm menor custo. As bombas vão se aquecer emoperação, claro, mas isso é normal e o ferro fundido aguenta bem variações de temperatura, sendo ummaterial muito versátil e resistente a qualquer condição operacional.
Maria B
: — Aqui, Maria A, você está cometendo um erro bastante sério. O ferro fundido não tem resistênciaa variações bruscas de temperatura. Se as bombas se aquecerem durante o uso e forem molhadas comgrandes volumes de água fria, as carcaças de ferro fundido vão se quebrar, exatamente como já aconteceuem projetos semelhantes. Para essa aplicação, o correto seria usar carcaças de aço, que suportam melhor oschoques térmicos. O menor custo inicial do ferro fundido não compensa o prejuízo operacional de umafalha.
Maria C
: — Concordo com Maria B sobre as bombas. E, aproveitando o assunto de custos, gostaria delembrar que o teor de carbono é determinante para o custo final do material. O ferro fundido tem entre2,11% e 7% de carbono, e o aço tem até 2,11% — então, quanto maior o teor de carbono, mais barato omaterial. Logo, o ferro fundido é sempre a opção mais econômica, independentemente da aplicação. Customenor deve ser o critério principal em qualquer decisão de projeto.
Maria B
: — Em parte você tem razão sobre o custo associado ao teor de carbono, Maria C. Mas reduzir adecisão de projeto apenas ao custo é simplificar demais. Existem situações, como a indústria alimentícia, emque obrigatoriamente se usa aço inoxidável de alta resistência à corrosão — como o AISI 316 — justamentepara evitar contaminação dos alimentos por ferrugem. Há casos, ainda, como o da construção de umacaldeira aquatubular, em que se recomenda o aço AISI 405, que tem alumínio na composição, sendoresistente a choques térmicos e bom condutor de calor. Custo é um critério importante, mas nunca deve sero único.
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DIÁLOGO 3
Contexto:
A equipe técnica da empresa “Projetos X” está reunida para definir o material mais adequadopara a fabricação de isoladores elétricos de alta tensão para uma nova linha de produção.
Maria A
: — Pessoal, precisamos definir o material para os isoladores de alta tensão que serão usados nanova linha de produção. Consultei nossas referências e fiquei muito impressionada com as propriedades dasporcelanas. Conforme indicado, elas são obtidas a partir de misturas de argila, quartzo, feldspato e caulim,são altamente vitrificadas e têm excelente aplicação nas indústrias elétrica e química, inclusive paravoltagens acima de 500 volts e em condições climáticas severas. Isso atende perfeitamente ao nossorequisito.
Maria B
: — Concordo que a porcelana é um bom isolante, mas acho que o vidro temperado seria aindamais adequado. Afinal, o vidro é produzido a partir da fusão da sílica e tem estrutura cristalina muitoregular, o que garante uma resistência elétrica impressionante. Além disso, o vidro temperado é até dezvezes mais resistente do que o vidro comum, e todos sabem que vidro é um material muito versátil,utilizado em inúmeras aplicações industriais. Acredito que essa seria a melhor escolha para isoladores dealta tensão.
Maria C
: — Discordo de ambas. Para isoladores elétricos de alta tensão, o que precisamos é de um materialcom altíssima condutividade elétrica para que a corrente flua de forma controlada. Os materiais cerâmicos,de maneira geral, têm condutividade elétrica elevada justamente por isso, por terem muitos elétrons livresna estrutura cristalina. E olha, todos sabemos que materiais mais duros tendem a ser mais condutores, e ascerâmicas são os materiais mais duros do mercado, então faz sentido que conduzam bem.
Maria A
: — Maria C, preciso discordar com respeito. Nossas referências são bem claras nesse ponto: osmateriais cerâmicos têm condutividade elétrica praticamente nula, justamente porque possuem um númeromuito baixo de elétrons livres na estrutura cristalina. É exatamente essa propriedade que os torna excelentesisolantes elétricos, não condutores. Quanto à afirmação de que materiais mais duros são mais condutores,isso também não procede tecnicamente: dureza e condutividade elétrica são propriedades independentes, eas cerâmicas são, ao mesmo tempo, extremamente duras e praticamente não condutoras.
Maria B
: — Bom, mas eu continuo defendendo o vidro temperado. Além da resistência, os vidros de silicatode boro, como o Pyrex, têm excelente durabilidade química e boa resistência ao calor. E, já que falamos deresistência, o vidro temperado não perde suas características iniciais, como dureza e translucidez, sendomais resistente que o vidro recozido. Acho que para isoladores industriais, ele superaria a porcelana.
Maria A
: — Maria B, entendo seu raciocínio, mas nossas referências indicam que o vidro temperado é cincovezes mais resistente que o vidro recozido, e não dez vezes, como você mencionou. Além disso, paraisoladores elétricos especificamente — inclusive os de alta voltagem —, nossas referências apontam aporcelana como o material indicado, justamente por sua elevada resistência química e suas propriedadeselétricas consolidadas para esse uso. O vidro tem aplicações importantes, como em lentes, recipientes elaboratórios, mas não é o material de referência para isoladores elétricos industriais de alta tensão.
Maria C
: — Entendido, Maria A. Preciso rever minha posição sobre a condutividade. Vou compilar os pontosde divergência que discutimos e levar ao gerente para análise. Assim garantimos que a especificação finalesteja bem fundamentada nas nossas referências técnicas.

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